A história da proteção veicular no Brasil

A proteção veicular é parecia com o seguro veicular, porém são categorias diferentes. É importante o consumidor entender essa diferença antes de contratar algum desses serviços. Elas não são apenas distintas porque oferecem benefícios diferentes, mas porque são resultados de histórias diferentes. Entenda um pouco desse passado para compreender melhor como funciona a proteção veicular.

O que é a proteção veicular?

Uma associação de benefícios é uma associação financiada por um fundo compartilhado, que é administrado por um grupo devidamente registrado e legalizado. Ou seja, imagine que você e um grupo de amigos criam um fundo onde todos colocam uma quantia de dinheiro mensalmente. Caso alguém do grupo precise desse dinheiro, devido a um acidente, imprevisto ou algo do tipo, ele pode sacar o valor desse fundo.

Assim é que funcionam as associações de benefícios. Você faz pagamentos mensais de uma quantia pré-determinada e, quando precisar, pode utilizar recursos do fundo para cobrir suas despesas. A proteção veicular é esse princípio aplicado à realidade do trânsito.

Você realiza pagamentos mensais que são direcionados para o fundo. Uma parte desse valor é utilizado para manter a associação que administra o fundo, afinal, ela tem administradores, contadores, técnicos e precisa lidar com a burocracia da organização. Quando você sofre um acidente de trânsito ou precisa de ajuda neste assunto, seja ela jurídica ou mecânica, os recursos do fundo são utilizados para arcar com esses custos. Desta forma, o membro da associação está protegido. E os custos dessa proteção são diluídos entre todos os associados da organização, minimizando o custo individual que incide sobre cada um.

De onde surgiram as associações de benefícios

Como surgiu essa ideia prática de distribuir os custos causados por um imprevisto? Bem, a ideia é muito antiga. Existem relatos de caravanas comerciais na nos primeiros séculos depois de Cristo em que se um mercador perdesse o animal por culpa de algo que estava fora do seu controle, outros comerciantes cobriam o preço desse animal.

No Brasil, já em tempos modernos, associações com propósitos parecidos surgiram. Essas associações de seguro mútuo eram comuns no início do século XX e atendiam a população frequentemente ignorada pelas seguradoras tradicionais. Um exemplo dos clientes dessas seguradoras eram as padarias, onde existia alto índice de incêndios na época, com diversos empresários do ramo dividiam os eventuais custos de um incêndio entre si. Essas associações eram importantes a ponto de a modalidade ser prevista no Código Civil.

No Brasil, na década de 80, começou a surgir a primeira mobilização em larga-escala desse mesmo princípio. O país se tornava cada vez mais violento, com a criminalidade em ascensão e a incapacidade do governo de reagir. Do outro lado, as seguradoras também falhavam em atender as demandas da população. Isso se dava porque as seguradoras sempre mantiveram restrições sobre quem poderia contratar seus serviços.

Elas restringiam a contratação de seguros a pessoas de baixa renda, ou que moravam em certos bairros, ou que desempenhavam certas atividades. Isso deixava uma grande parcela da população exposta, sem ter uma forma de proteger o seu patrimônio.

A população solucionando o seu problema

É importante ressaltar que não estamos apenas falando de veículos utilizados para lazer, mas que para muitas profissões o automóvel é ferramenta de trabalho indispensável. Algumas atividades se encontravam especialmente vulneráveis tendo seus veículos sem seguros, como caminhoneiros e taxistas. Não apenas os veículos eram ferramentas de trabalho, mas também eram o patrimônio de maior valor para muitas pessoas.

Para quem não possuía grandes quantias de dinheiro guardadas ou um imóvel próprio, o automóvel era o principal bem, de tal forma que, em caso de emergência, era através da venda dele que um cidadão podia conseguir o dinheiro que necessitava. Todas essas condições confluem no surgimento das associações de benefício que oferecem proteção veicular. Não se pode afirmar com certeza, mas acredita-se que as primeiras associações deste tipo começaram a surgir na década de 80, no estado de São Paulo.

Elas se desenvolveram de forma mais ampla na cidade de Betim, no estado de Minas Gerais, como uma forma de oferecer proteção a caminhoneiros que trabalhavam com o transporte de automóveis. Para muitos destes caminhoneiros, o valor do seguro do seu veículo equivalia a mais da metade do valor do próprio veículo. As associações de proteção veicular surgiram com alternativas efetivas, capazes de suprimirem suas demandas por proteção do patrimônio pessoal.

Crescimento e organização das associações

Com o passar dos anos, o país cresceu em população e economia. Acompanhando esse movimento, cresceu a frota brasileira, com tal velocidade que o mercado das seguradoras não conseguiu acompanhar esse crescimento vertiginoso.

É estimado que, atualmente, em torno de 2 milhões de brasileiros fazem uso de serviços de proteção veicular como forma de garantir o seu patrimônio. As associações que oferecem esses serviços se encontraram diante um grande mercado, frequentemente ignorado pelas seguradoras e que estava disposto a buscar suas soluções em outros serviços.

Hoje em dia presenciamos um cenário em que muitos corretores e seguradoras veem as associações de proteção veicular como uma ameaça ao seu negócio, e buscam desacreditá-las. É verdade que há similaridades nos serviços oferecidos por ambos os negócios, porém existem diferenças fundamentais. O nicho pelos quais elas competem não é exatamente o mesmo, e cada uma possui um consumidor potencial específico. Não se pode deixar esse antigo oligopólio atravancar o desenvolvimento de um novo mercado que atende à uma parcela da população tradicionalmente excluída dos seus serviços.

Os dias de hoje

Motivados pelas suas próprias necessidades, a população começou a se organizar em instituições que hoje chamamos de associações de benefícios. Elas estão longe de serem as organizações informais administradas por amigos que um dia foram. Hoje elas são grandes instituições, que envolvem centenas ou milhares de pessoas e que possuem um leque diverso de serviços para oferecer aos seus associados.

A Facility é uma dessas associações, modernas e versáteis, que cumpre esse papel importante. Olhar para a abrangência dos seus benefícios nos mostra o quanto essas associações se desenvolveram com o passar do tempo e como elas se tornaram as organizações dinâmicas que vemos hoje.

2017-09-04T16:37:48+00:00