O chão em cima do chão – entendendo o asfalto

O asfalto já se tornou uma constante na vida de milhares de brasileiros. Porém, o Brasil ainda enfrenta graves problemas na sua infraestrutura de transporte. Uma das maiores vítimas desses problemas é a malha rodoviária nacional.

Dados de 2014, provenientes do então Ministério dos Transportes, indicavam que 80,3 % das estradas brasileiras não estavam pavimentadas. Esse número tem uma repercussão grave na economia e na segurança do transporte brasileiro.

Dentro das vias pavimentadas, ainda temos que levar em conta as vias que estão com sua pavimentação em estado precário, seja porque se encontram esburacadas por causa da ação dos veículos, da água e da erosão, ou porque alterações no solo danificaram o asfalto. Como podemos cuidar melhor com esse pouco de pavimento que já possuímos? Um dos primeiros passos é entender o asfalto.

Como o asfalto chega até nossas estradas

O asfalto que hoje utilizamos para calçar nossas ruas e avenidas é produzido a partir de uma substância chamada betume. O betume é utilizado há muito tempo, sendo há séculos usado para conter vazamentos em reservatórios de água e para pavimentar estradas. Antigamente se utilizava o betume feito com piche retirado de lagos. A versão que nós utilizamos hoje em dia é diferente, sendo extraído a partir do refinamento do petróleo.

Quando o petróleo é destilado, em torres compridas de metal, diferentes camadas de substâncias são produzidas. As mais leves, como o gás, a gasolina e o querosene, ficam no topo da torre. As mais pesadas, como o óleo combustível e o betume, ficam na parte inferior. Assim ele é extraído do petróleo bruto. A mistura que vemos sendo derramada e assentada nas ruas, no processo de pavimentação, é geralmente obtida através da mistura do betume com areia, pó de pedra e brita à temperatura de 200ºC.

A proporção da mistura geralmente é de 5% de betume para 95% de outros materiais agregados. As temperaturas altas são uma necessidade por causa da viscosidade do betume, sendo necessário aquecer ele para conseguir misturá-lo com os outros materiais. Essas misturas são realizadas nas usinas de asfalto, que podem ser tanto lugares fixos quanto usinas móveis.

Denso, mas maleável

Não existe apenas um tipo de asfalto, mas vários. Esses tipos distintos são obtidos através de diferentes misturas de materiais. E cada tipo corresponde a uma necessidade diferente. Uma rua por onde passam muitos veículo e veículos de maior peso, como ônibus e caminhões, vai ter a necessidade de um asfalto diferente que uma rua com movimento menor e mais leve.

Além dessa questão, é necessário saber se o asfalto é realmente a melhor forma de calçar um trecho. Existem outras opções, sendo recomendado para países com clima tropical o calçamento com concreto, mais resistente ao clima e que traz resultados mais duradouros.

Nas últimas décadas vem surgindo um grande debate sobre a utilização do espaço urbano. Sobre como planejar cidades e como construí-las de uma forma que favoreça a qualidade de vida dos seus cidadãos. Parte desse debate passa pelo asfalto, das muitas formas que ele é utilizado hoje e como ele poderá ser utilizado no futuro. E também passa pelo impacto ecológico desse material, desde a forma como ele é produzido até o efeito dele na temperatura das cidades.

O futuro verde de um material preto

Um argumento a favor do uso do asfalto é que ele é um material totalmente reciclável. Nos Estados Unidos, por exemplo, quando um trecho de asfalto é retirado de uma pista por estar danificado ou inutilizável, ele é enviado de volta para a usina. Na usina esse material é reciclado e utilizado para produzir asfalto novo.

De acordo com a indústria norte-americana de asfalto, 99% do asfalto danificado retirado de estradas é reciclado em asfalto novo. Essa prática não se limita apenas ao asfalto já utilizado. Pneus velhos também podem ser reciclados para utilização em asfalto novo. Raspas de pneus inutilizados são usados na mistura do asfalto para produzir o asfalto borracha, dando um fim ecológico a estes pneus.

Outros projetos que também pensam em outras formas de tornar o asfalto menos agressivo ao meio-ambiente incluem o de captar o calor absorvido pelo asfalto para geração de energia. Esse projeto é desenvolvido nos Estados Unidos e visa utilizar cristais de quartzo para realizar essa conversão de calor em energia elétrica. Na Espanha se investiga como desenvolver e utilizar um tipo especial de asfalto capaz de captar gases poluentes emitidos por automóveis, como o óxido de nitrogênio.

Uma pista do passado ao futuro

A verdade é que o asfalto não vai nos abandonar tão cedo. A dependência de nossa sociedade moderna aos automóveis faz com que seja necessário um material capaz de pavimentar longos trechos de forma eficiente e que seja resistente.

Independente de como o asfalto e seus usos mudarem nos próximos anos, é seguro dizer que no Brasil e no mundo o asfalto continuará sob nossos pés e nossos veículos.

2017-09-12T14:51:25+00:00