Direção e medicamentos: entenda os riscos envolvidos nessa relação

Dirigir, por si só, não é uma das tarefas mais simples. Ao volante, somos obrigados a manter o foco e a atenção total para que estejamos sempre prontos para evitar a ocorrência de acidentes.

Apesar disso, somos humanos e, portanto, estamos sujeitos ao cansaço e à limitação das condições físicas. Para quem faz uso de medicamento diariamente, além de toda a atenção já exigida, é necessário ser cauteloso e prudente.

Isso porque a ingestão de droga, ainda que medicamentosa, pode alterar os sentidos do condutor. Os efeitos mais comuns são perda de reflexo, sonolência, visão turva ou distorcida, reações que afetam diretamente a condução do veículo.

Além disso, drogas psicotrópicas ou psicolépticas, que atuam sobre o psiquismo, possuem propriedades capazes de causar dependência ao indivíduo, implicando em efeitos negativos caso a ingestão do medicamento seja interrompida.

As primeiras consistem em um grupo de quatro categorias: tranquilizantes, indicados para o tratamento de ansiedade e diminuição de tensão nervosa; neurolépticos, usados no controle de surtos psicóticos; antidepressivos, usados no tratamento contra ou no controle da depressão; e soníferos, usados para provocar o sono.

As drogas psicolépticas concentram medicações sedativas, as quais agem sobre estados de agitação, insônia e ansiedade.

É notável que indivíduos sob o efeito dessas reações não devem, em hipótese alguma, assumir o volante, uma vez que sua capacidade será alterada assim que o organismo absorver a medicação.

Lei Seca – Álcool e substâncias psicoativas

Quando sancionada, a lei popularmente conhecida como Lei Seca, permitia a ingestão de uma fração ínfima de álcool. Ao longo dos anos, no entanto, a proibição se tornou mais rígida, dado o índice de mortes no trânsito, decorrente do fator embriaguez.

Com isso, a tolerância foi extinta e passou-se a considerar, como infração, o ato de dirigir se constatada a presença de álcool no ar alveolar ou no sangue do motorista.

A mudança integrou, ainda, à proibição, dirigir com a capacidade psicomotora alterada, tanto pela influência de álcool quanto por outra substância psicoativa. São consideradas crimes de trânsito as seguintes condutas:

“Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra psicoativa que determine dependência”.

Penas – detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

  • 1o As condutas previstas no caput serão constatadas por:

I – concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou

II – sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora. 

A partir desse acréscimo à lei, a pessoa que estiver sob o efeito de droga ilícita, tais como maconha ou cocaína, ou de medicamentos que configurem dependência, normalmente os de tarja preta, e alterem a capacidade psicomotora, estará sujeita a ser enquadrada no art. 306 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

Qualquer substância que interfira no ato de dirigir deve ser evitada.

Inclusive remédios que costumamos ingerir, como, por exemplo, analgésicos, podem causar um efeito diferente em combinação com outros fatores e, assim, interferirem em nossas habilidades, gerando situações perigosas. No trânsito, efeitos adversos podem ocasionar acidentes e consequências graves.

O perfil do comportamento esperado pelo motorista conta com características que vão além de não cometer desvios. Para agir de imediato, é preciso que o motorista esteja com suas habilidades mentais e motoras em condições adequadas, de modo a se manter consciente de suas atitudes.

Pensando nisso e com intuito de preconizar a segurança do trânsito, selecionei alguns dos medicamentos que fazem parte do grupo de drogas que provocam efeitos capazes de comprometer a coordenação motora.

Antidepressivos – A depressão, por si só, pode comprometer a capacidade de dirigir do condutor. Associada ao uso de medicamentos controlados, então, pode gerar sonolência, vertigens, agitação e alterações no sistema nervoso.

Anti-histamínicos – Mais conhecidos como antialérgicos, são responsáveis pelo risco de causar falta de atenção, confusão mental e tontura.

Ansiolíticos e tranquilizantes – Alguns medicamentos dessa categoria estão relacionados à ocorrência de acidentes, principalmente durante o primeiro mês de tratamento. Seus efeitos podem induzir ao sono, à redução dos reflexos e prejudicar, consequentemente, a atenção. Além disso, a interrupção da medicação pode levar o indivíduo a apresentar sintomas de irritabilidade e sono excessivo.

Antiepiléticos – Os principais efeitos são sonolência e letargia. Além deles, pode ocorrer confusão mental ou perda de memória e diminuição da capacidade psicomotora. O ideal é que indivíduos que sofram de epilepsia não conduzam veículos tendo em vista a probabilidade de terem uma crise epilética.

Antidiabéticos – Da mesma forma que no caso anterior, não é recomendável que indivíduos diabéticos dirijam sem que tenham a condição controlada e supervisionada, pois a hipoglicemia pode causar diversos efeitos, entre eles, a perda repentina de sentidos, como a sensibilidade dos pés. É possível causar, também, alterações na visão, alucinações e tonturas.

Analgésicos – Por ser de fácil administração, os efeitos causados pelo uso de analgésicos são pouco divulgados e relevados por grande parte da população. Os principais efeitos são de náuseas e sonolência, fatores que, ao volante, são de alto risco.

As consequências para o condutor que apresentar sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora, de acordo com o art. 306 do CTB, são de multa pecuniária, suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor, além de detenção, de seis meses a três anos.

Há anos a Lei Seca para medicamentos vem sendo pauta entre o Ministério das Cidades e Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet). E, apesar de a proposta haver sido incluída pela legislação, a fiscalização ainda se mostra um tanto ineficaz nesse sentido.

Sendo assim, cabe ao condutor estar a par das possíveis reações causadas pelo medicamento.

Além do mais, cada organismo pode reagir de maneira diferente. Por isso, é importante ler a bula e conversar com o seu médico a respeito da questão.

Caso não seja possível interromper o uso da medicação, o ideal e mais seguro é interromper a prática de dirigir, pelo menos enquanto os efeitos comportamentais subsistirem. Nesse caso, você deverá ser responsável para assumir quando não estiver em condições de dirigir.

Considerando os riscos já envolvidos no tráfego de veículos, de modo geral, é válido redobrar a atenção, principalmente sobre o uso concomitante de medicamentos, que pode resultar na potencialização dos efeitos adversos, para evitar ainda mais circunstâncias perigosas.

Você faz uso de alguma dessas medicações? Já notou a presença de sinais de alteração? Fique atento a eles!

Se gostou desse artigo, deixe seu comentário e compartilhe para que mais pessoas tenham acesso a esse conteúdo.

 

 

 

2018-01-23T12:29:39+00:00