Mad Max – Fúria, Deserto e Pouco combustível

Filmes de futuros apocalípticos sempre atraem a nossa atenção. Se hoje está na moda o levante zumbi, no fim dos anos 1970 e toda a década de 1980 o fim da sociedade ocidental se dava pelo fim do combustível. Se você tem boa memória, ou tempo de vivência o suficiente para ter vivido isso, na abertura da Sessão das Dez, domingo à noite no SBT, aparecia o Mel Gibson usando jaqueta de couro embaixo do sol australiano e tirando os óculos aviador. Essa cena é do primeiro Mad Max. Em 2015, foi lançado o quarto filme da série, com polêmica.

 

Mad Max, de 1979

Pensar em cinema australiano, ainda hoje, é pensar em Crocodille Dundee, filme que até agora tem escapado dessa febre de reboots. Febre essa que tem produzido sucessos de bilheteria, mas não tem agradado a algumas gerações de fãs. Parece mesmo que nem tem criado gerações de fãs, diga-se…

O ano era 1979. O então desconhecido Mel Gibson interpretava Max Rockatansky, um policial rodoviário que perdera sua família e foi apoderado de um espírito de justiceiro. Dedicou a vida a caçar gangues de motociclistas pelas estradas, principalmente as asfaltadas, da Austrália. Muita briga de bar, perícia ao volante, acidentes e, para surpresa de todos, bilheteria.

O filme dirigido por George Miller havia tido um custo de produção baixíssimo, mesmo para os padrões atuais. Seja pela violência gratuita, seja pela vitória arrasadora da vingança na cena final, o filme fez uma bilheteria fabulosa até para os dias atuais. Cerca de 40 mil dólares foram investidos, e a receita gerada foi de 100 milhões de dólares.

Não se pode esperar grandes efeitos especiais ou mesmo grandes atuações. As caras de paisagem dos personagens condizem com a paisagem desértica. Agora, com um lucro desses, o destino não poderia ser outro senão a multimilionária Hollywood.

 

Os filmes de 1981 e 1985

É bem verdade que atualmente o ator Mel Gibson está em descrédito. Alguns dos seus atos da vida pessoal e opiniões têm influenciado negativamente a sua carreira bem como a recepção de seus filmes como diretor. A série Mad Max abriu as portas para o estrelato em Máquina Mortífera, depois veio a consagração em Coração Valente. Antes de tudo isso, antes mesmo de Mad Max, o jovem Mel Gibson participou do filme que contem a sua melhor atuação: Galipolli. Também australiano.

Voltando às batalhas de motoristas e automóveis, foram filmados os dois últimos filmes da trilogia original de Mad Max ainda nos anos 1980, em um espaço de tempo bastante curto. De 1981, é Mad Max 2 (em inglês, Mad Max: The road warrior), e, de 1985, é Mad Max: além da Cúpula do Trovão (em inglês, Mad Max beyond ThunderDome). Agora sim o futuro pós-apocalíptico chegou. E com força.

No filme de 1981, o mundo mergulhou no caos após a escassez do petróleo combustível. O vilão do filme usa uma máscara de hockey, como o personagem Jason, da franquia Sexta-Feira 13. Bem produzido e dirigido, é apontado como um dos grandes filmes dos anos 80, bem como o melhor da série.

Já o filme de 1985, a escassez é de todo e qualquer recurso natural, além do combustível. É preciso dizer que houve escassez na atuação e na motivação dos personagens, sendo o filme muito lembrado pelo figurino que a cantora Tina Turner usou.

 

Mad Max: a estrada da fúria

Um dado muito importante que passou despercebido por muitos críticos. O filme Mad Max: estrada da fúria (em inglês, Mad Max: fury road, de 2015) não é um reboot da série original, mas seu quarto episódio. Tom Hardy substitui Mel Gibson no papel título, pois o tempo passa para todos.

Antes do lançamento, houve uma série de protestos pedindo boicote dos fãs ao filme por uma série de motivos, no mínimo, estapafúrdios. O mais famoso deles dizia que o filme não era masculino o suficiente, pois Charlize Teron (no papel de Furiosa) se tornara a protagonista.

Apesar de particularidades como essas, o filme teve excelente recepção comercial e crítica. Vai ser lembrando muito tempo pela direção de arte e pelas cenas de ação muito bem executadas e de visual impecável.

É um filme indispensável, mas possui suas limitações. Se nos filmes anteriores faltou água, justiça e combustível, neste faltou roteiro. Basicamente, temos uma peregrinação cansada de uma cena de ação para outra cena de ação. Excelente entretenimento, mas sem a acidez crítica do segundo filme da franquia.

 

Uma palavra de atenção

Ver todos os filmes Mad Max é um exercício incontornável para todos os amantes de cinema, bem como aos amantes de carro. Mas, e agora vem a palavra de atenção, não é exatamente diversão para toda a família. A violência gráfica presente nos filmes pode causar pesadelos aos menores de 12 anos de idade.

Você vendo aos filmes pode pensar que já não falta mais tudo para o trânsito brasileiro ficar dessa forma. Os personagens do filme usavam vergalhões, lanças e arpões para proteger seus automóveis. Nós ainda somos mais civilizados e eficientes usando proteção Facility.

2017-10-06T17:49:23+00:00