A frota de automóveis no Brasil!

Com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo. Sua população compõe alguns dos maiores centros urbanos do Hemisfério Sul, cidades gigantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Esse grande número de pessoas concentradas em metrópoles se reflete nos meios de transporte utilizados, especialmente nos automóveis. Afinal, qual é o tamanho da frota de automóveis no Brasil?

Uma realidade difícil de calcular

Aí já encontramos o nosso primeiro problema. Atualmente, não existe uma estatística inteiramente confiável que nos indique o número de automóveis no país. Quantos veículos, suas marcas, de que anos são, entre outros, ainda são dados imprecisos. É por esse motivo que grupos como o Sindicato dos Fabricantes de Peças (Sindipeças) e Associação Nacional dos Fabricantes (Anfavea) publicam análises próprias sobre a frota nacional. Eles utilizam dados do Detran, Denatran e outros órgãos públicos para tentarem gerar uma estatística que representa corretamente a quantidade dos veículos no Brasil e suas características.

A dificuldade em adivinhar corretamente a frota vem do fato de que os órgãos oficiais não possuem números que refletem totalmente a realidade, especialmente quando se trata de perdas por falhas mecânicas, perdas por acidentes, roubos e abandonos.

Em 2014 o Denatran apontava uma frota de 45,4 milhões de carros no Brasil. Em 2016, o relatório do Sindipeças indicava que o Brasil possuía 42,87 milhões automóveis entre carros, veículos comerciais, caminhões e ônibus e 13,49 milhões de motos. De acordo com esse relatório (levando em consideração como automóvel carros, veículos comerciais, ônibus e motos), o Brasil possui uma média de um automóvel para cada 3,68 habitantes.

No entanto, a população do país não está igualmente distribuída pelo território. Então é claro que os automóveis também não estarão, o que nos leva a uma segunda pergunta. Onde está a frota nacional? Primeiro, há uma concentração em diferentes estados. Podemos verificar isso olhando para os cinco estados com os maiores números de automóveis no ano de 2016 de acordo com o Denatran:

1. São Paulo – 27.332.101

2. Minas Gerais – 10.277.988

3. Paraná – 7.140.439

4. Rio Grande do Sul – 6.650.259

5. Rio de Janeiro – 6.377.484

Decifrando a frota brasileira

Agora comparemos com os cinco estados mais populosos em 2016 de acordo com o IBGE:

1. São Paulo – 44.846.530

2. Minas Gerais – 21.024.678

3. Rio de Janeiro – 16.690.709

4. Bahia – 15.276.566

5. Rio Grande do Sul – 11.286.500

Podemos perceber que existe uma relação entre o número de habitantes e da frota de cada estado, mas não é uma relação simétrica, ou seja, mais pessoas não indicam necessariamente mais veículos. O número de automóveis vai ser determinado também por outros fatores, como riqueza, distribuição de renda e densidade urbana. Da mesma forma que a população e os veículos não estão igualmente distribuídos pelo país, dentro dos próprios estados também há pontos mais concentrados que outros. É visível que nas grandes metrópoles é que se concentram a maior quantidade de veículos.

Embora não possamos medir com 100% de certeza a frota de automóveis no país, conseguimos números mais ou menos precisos. Esses números são tão importantes porque é através dele que a indústria e o governo planejam suas ações. Tanto o mercado quanto o setor público utilizam esses números para decidirem onde e como irão investir tempo e recursos. Esse planejamento é essencial porque nos últimos 15 anos da história do Brasil trouxeram mudanças drásticas na questão automobilística.

Passado e presente automobilístico

Em 2001 a frota girava em torno de 24 milhões de veículos e em 2016 já estávamos em torno do dobro disso. Mudanças sociais e econômicas resultaram no aumento da adoção em massa de automóveis. Enquanto nos países desenvolvidos nota-se uma tendência contraria, de adoção de meios de transporte coletivos ou não-motorizados, o Brasil andou no caminho oposto.

Como consequência dessas mudanças, as metrópoles se encontraram transbordadas de veículos, não apenas de seus moradores, mas dos veículos de habitantes que veem à cidade trabalhar. Esse segundo compõe o que é chamado de tráfego flutuante: o grupo de veículos que passa apenas o horário comercial na cidade.

Até cidades consideradas modelo em planejamento urbano como Curitiba sofrem com o grande número de veículos nas suas ruas. Em todo o país diferentes medidas são propostas para lidar com os transtornos que uma frota tão grande causa. Desde suas repercussões no urbanismo e na economia, até o impacto ambiental que elas trazem, o Brasil ainda não desenvolveu métodos para lidar com essa massa de automóveis.

Distribuição dos veículos brasileiros

Utilizando dados de 2016 do Denatran sobre a frota total de cada município, encontramos esta lista:

1. São Paulo – 7.602.325

2. Rio de Janeiro – 2.673.915

3. Belo Horizonte – 1.711.139

4. Brasília – 1.654.667

5. Curitiba – 1.514.424

Ou seja, notamos que há uma relação entre as capitais mais populosas e com maior renda per capita, e o número total de veículos que ela possui. Mas há outro dado interessante sobre a frota nacional. É o que considera o número de habitantes em relação ao número de veículos. Quando nos debruçamos sobre esse número, vemos que a lista muda consideravelmente. Um cruzamento de dados realizado pelo Portal G1, utilizando estatísticas do Denatran e do IBGE, encontrou que a cidade brasileira com maio número de veículos por habitante foi São Caetano do Sul, no estado de São Paulo. Por que São Caetano?

A cidade possui 99 mil veículos e uma população de 156 mil, totalizando uma média de dois veículos a cada três habitantes. Essa taxa alta pode ser explicada não só pela renda e número de habitantes da cidade, mas também por fatores culturais. São Caetano do Sul, assim como outras cidades do ABC paulista, são berços da indústria automobilística nacional. O carro é onipresente na cidade.

Conclusão

Independentemente de você ser morador de São Caetano ou não, os automóveis são inescapáveis na realidade brasileira, seja com duas, quatro ou mais rodas. É necessário que o cidadão se mantenha bem informado sobre quais são os deveres associados a ser proprietário de um carro, assim como seus riscos.

O número alto de proprietários de carros traz junto números altos de acidentes, responsáveis por

2017-08-14T17:47:10+00:00