A evolução e a proteção veicular

A evolução é inevitável

 

Conta a história que 1876 é considerado o ano de nascimento do automóvel moderno, pelo inventor alemão Karl Benz. De lá para cá o automóvel vivenciou incontáveis evoluções, passando por Henry Ford – o primeiro empresário a aplicar a montagem em série e produzir automóveis em grande quantidade – até os modernos veículos movidos unicamente à eletricidade, como recém noticiado pela Volvo, a partir de 2018. De 1876 a 2018 uma coincidência chama a atenção: a história e os automóveis sempre andaram para a frente.

As cartas se transformaram em a-mails, o serviço quase secular de táxis se viu ultrapassado pelos modernos aplicativos, os ascensoristas foram substituídos pelo controle digital, seu banco hoje cabe na telinha do celular, Google, Facebook, assim caminha a humanidade.

 

O problema das seguradoras

 

Era natural que o segmento de seguro veicular também evoluísse. Primeiro, vamos dar um passo atrás para entender um pouco essa história. Há cerca de 40/50 anos a prática comercial de “seguro” era visto com certa desconfiança pela sociedade. Tanto que a nova atividade só viria a ser regulamentada em 1996, pelo decreto lei nº 73. Com a entrada dos bancos no novo negócio, e a consequente criação de suas corretoras ou seguradoras, a cultura de fazer seguro se tornou popular.

Mas no seu berço, o seguro já mostrava seu DNA de puro interesse econômico. Sem qualquer compromisso social, em pouco tempo deixaram de atuar em determinados ramos quando a possibilidade de lucro era pequena ou inexistente. A constatação disso é que o governo se viu obrigado a interferir, chegando a criar os “seguros obrigatórios”, onde o órgão regulador (Susep) disciplina e garante a oferta de mercado.

 

Proteção veicular x seguradoras

 

Para socorrer uma camada cada vez maior de pessoas, preocupadas com a possível perda de seus veículos, e abandonadas pela total falta de interesse das seguradoras, há cerca de 15 anos nasceram as Associações ou Cooperativas de Proteção Veicular. É bom que se diga que, perante a lei, elas são entidades absolutamente legais. Enquanto as Seguradoras veem as pessoas unicamente como consumidoras, as Associações de Proteção Veicular tem as pessoas como sócias e que, através do união de todos, buscam superar dificuldades e garantir um bem que na maioria das vezes foi conquistado com suor e extrema dificuldade.

Esses que são abandonados pelas seguradores encontram nas Associações a proteção necessária e a mão forte estendida. Resumidamente, as Associações de Proteção Veicular são entidades sem fins lucrativos, onde o grande segredo é o simples compartilhamento, em forma de rateio, dos prejuízos sofridos por algum membro.

 

Regulamentação da proteção veicular

 

Assim como ocorreu na chegada do seguro, é notório que a falta de regulamentação do segmento de proteção veicular dificulta um crescimento ainda maior, mas não permite concluir que a atividade é ilegal ou irregular.

Fica a pergunta: se hoje as cooperativas de crédito convivem com o sistema bancário, as cooperativas de saúde com os seguros de saúde, as cooperativas de habitação com as construtoras, as revendas de veículos com as concessionárias, por que não podem conviver as associações/cooperativas de proteção veicular com as seguradoras?

Em outros países já é possível. Em um mundo cada vez mais atualizado e de novas possibilidades, por que as companhias de seguros devem ser as únicas provedoras de garantia? Até quando nosso segmento vai estar com o freio de mão puxado? Felizmente, assim como os automóveis, a história sempre caminha para a frente.”

2017-08-03T22:17:07+00:00